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Ficar (bem) sozinho é sinal de evolução


Cada vez mais as pessoas sofrem com a solidão, mas sofrem porque desconhecem o real valor dessa grande aliada. Segundo o filósofo Platão, “a solidão é o ateliê onde o atento artista de si mesmo trabalha a matéria da vida. Não há arte ou beleza em geral sem ela”. Em outras palavras, aqueles que usam beneficamente a solidão estão sempre acompanhados de si mesmos e não têm carência afetiva. Estar consigo mesmo é estar em contato permanente com a nossa essência.

Entretanto, quando mal utilizada, a solidão traz isolamento, que é o estado em que a pessoa está desacompanhada de si mesma. O homem que tem vida interior dificilmente vive isolado. Pelo contrário: gosta de si e cuida de si.

Como ser social, o homem precisa compartilhar afetividade, mas para isso deve ter algo a oferecer, e não simplesmente receber. O homem sem vida interior busca preencher com outras pessoas o sentido de sua vida, mas, quando isso não ocorre, fica frustrado, ressentido, desencantado, traumatizado e termina criando barreiras contra a aproximação das pessoas, isolando-se.

O real motivo da nossa felicidade está dentro de nós mesmos, e isso só é conquistado por meio do autoconhecimento. O “divino ócio”, ideia de Platão, é uma forma de nos encontrarmos conosco diariamente. É o momento que reservamos no cotidiano para nos encontrar, para avaliar nosso dia e nossa vida, para buscar respostas dentro de nós mesmos. Desse modo, alimentamos nossa alma e encontramos vida interior, alegria, amor, paz e outros sentimentos que nos abastecem e geram boa convivência não só conosco, mas também com os outros.

Praticar “divinos ócios” contribui para a conquista de uma vida melhor e nos ajuda a estar bem conosco em qualquer situação. Se não temos um momento de solidão saudável, terminamos nos esquecendo de nós mesmos e ficamos vazios. Quando estamos plenos de nós mesmos, nossa relação com o outro é cada vez melhor e mais saudável.

Para o psiquiatra Flávio Gikovate, a relação afetiva de boa qualidade é um subproduto do próprio crescimento individual, e o crescimento individual é o ingrediente necessário para que possamos viver bem sozinhos. Quem vive bem sozinho tem plenas condições de viver relações amorosas de boa qualidade e, logicamente, não vai querer relações amorosas de má qualidade.

Aproveitemos então o início de um novo ano para nos conhecer melhor e conviver bem conosco mesmos. Assim, melhoraremos nossa convivência com os outros e, aos poucos, faremos deste um mundo melhor para se viver. Com amor e tolerância, tudo se torna possível.

Por Sol Antônia

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