O termo alma gêmea ficou
desgastado depois de sua difusão por meio de novelas e filmes, que não dão
conta de sua grandiosidade. Longe de ser produto de uma mente romântica, a
busca pela alma gêmea revela, na verdade, a vontade do ser humano de encontrar
o relacionamento ideal, aquele em que se sinta pleno e mais próximo do divino.
Segundo o filósofo Platão, o homem é composto de três núcleos: soma – a parte mais densa, física; psique – a parte mental e emocional; e nous – a parte espiritual e imortal, a essência. Uma pessoa pode se unir a outra por meio de qualquer um desses planos, mas um relacionamento de alma gêmea só ocorre quando existe concomitantemente a união desses três mundos.
Soma e psique são espécies
de máscaras; a essência do ser humano é nous,
o conhecimento superior, a inteligência pura, a intuição, a compreensão total
das coisas, o mundo das ideias. A psique
faz a ponte entre o mundo das ideias (nous)
e o mundo material (soma), é o
instrumento que nos possibilita relacionar o plano divino com o plano material.
Quando esses três mundos se alinham, o homem se torna uma ferramenta nas mãos
do divino e consegue comunicar o mundo espiritual e o mundo material.
Na união ligada somente ao soma, a tônica da relação é o prazer que
um pode proporcionar ao outro. O vínculo é carnal e se esgota em pouco tempo, é
algo quase que descartável, pois a atração física se alimenta pela novidade,
pela variedade. É o amor líquido e “infinito enquanto dure”.
Na união ligada à psique, as
afinidades se vinculam mais ao plano mental: os mesmos defeitos e qualidades,
os mesmos gostos e rejeições e as mesmas tendências. Esta união é mais
duradoura que a do soma, porém se
desgasta por ser baseada em afinidades transitórias: a psique, assim como os
gostos, muda com o tempo, e as afinidades terminam se perdendo.
A união ligada ao nous é a única que não se desgasta. Não se
corrói, uma vez que não pertence ao mundo material. No amor noético, há o desejo
de somar, de olhar numa mesma direção, de ajudar os outros, de evoluir junto. Quando
nos unimos a alguém nessa dimensão, nossos laços vão se estreitando até chegarmos
à unidade, dimensão na qual os homens sonham juntos, expandem-se em sabedoria. Essa
união espiritual não precisa ser necessariamente de um parceiro ou parceira,
pode ser entre mestre e discípulo, entre dois amigos, entre pai e filho.
No caso do amor de alma gêmea entre
um casal, ele é algo ainda maior e mais raro de ocorrer: é uma afinidade noética,
psíquica e física ao mesmo tempo, ou seja, há complementação em todos os
planos, um encaixe perfeito, o tao, o yin e o yang. Quando está em um
relacionamento de alma gêmea, a pessoa ganha uma capacidade evolutiva fora do
comum.
O amor de alma gêmea é genuíno, pois
a pessoa ama a outra exatamente como ela é, sem procurar modelá-la conforme sua
própria imagem ou de acordo com o que gostaria de encontrar em alguém. Ela
apenas tenta auxiliar o outro a descobrir o que há de melhor e mais elevado em
sua personalidade. A alma gêmea é generosa e não se importa em dar mais do que
recebe. Num relacionamento de alma gêmea não há espaço para carência, ciúme ou
possessividade, uma vez que as pessoas estão unidas em um plano maior, que é o
espiritual. Há confiança mútua e desejo de expansão.
Esse encontro depende do mérito
individual de cada um. Ou seja, quanto mais a pessoa evolui espiritualmente,
mais fácil fica do encontro com a alma gêmea. O universo se movimenta para facilitar
esse encontro, já que a união de almas gêmeas traz consigo não só a evolução do
casal, mas também das pessoas próximas a ele. Geralmente as almas gêmeas se
envolvem em um projeto maior que levará à evolução dos outros seres.
Então, para aqueles que desejam encontrar
a alma gêmea, o caminho da evolução espiritual está aberto. Basta segui-lo.
Por Sol Antônia
Por Sol Antônia

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