Viver um relacionamento pleno,
com entrega saudável e compartilhada, é o desejo de quase todos nós. Quando nos
abrimos sem reservas para uma relação, deixando que alguém entre nos nossos
esconderijos e nos conheça de fato como somos, temos a bênção de nos enxergar no
outro e crescer por meio dele. Relacionamentos são espelhos, e nos vermos
refletidos em outra pessoa pode ser bom ou ruim dependendo do nosso grau de
maturidade e evolução. Isso vale para todo tipo de relação.
É por esse motivo que construir
uma relação saudável dá trabalho. Para a maioria, é mais fácil se esconder do
outro, se fechar em traumas do passado, não mostrar as feridas, ficar ruminando
experiências ruins em vez de lavar a alma, aprender com os erros e começar de
novo. Algumas pessoas têm tanto medo de se relacionar (e de se decepcionar
novamente) que acabam se tornando emocionalmente indisponíveis, fechadas para o
afeto. Ou, quando se relacionam, não se entregam, mantêm as emoções em sigilo,
não se sentem confortáveis para compartilhar sentimentos.
A indisponibilidade afetiva é
encontrada mais frequentemente nos adultos, sobretudo nos homens. Chega a ser
tão agravante que a pessoa emocionalmente indisponível, de tanto se proteger,
termina afastando de si pessoas abertas afetivamente e que estão dispostas a
amar sem reservas. Num excesso de proteção, elimina de sua vida relações que
poderiam dar bons frutos. Neste sentido, os mais jovens saem ganhando por
entrar numa relação de peito aberto, sem pensar em traumas passados, já que quase não
os têm. No íntimo, as pessoas que não se entregam ao amor temem perder o
controle da situação. Vivem controlando tudo na vida, sobretudo as emoções e a
espontaneidade.
Deixar fluir a vida e as emoções é
edificante. A cada relação, amadurecemos um pouco. Em geral, enxergamos no
outro aquilo que está escondido em nós e que tentamos a todo custo não trazer à
superfície (ou que nem temos consciência de que existe). É mais fácil apontar o
dedo em riste do que voltar-se para dentro de si e tentar modificar a si mesmo.
Mudando a nós mesmos, mudamos as situações à nossa volta.
Então, se uma pessoa
emocionalmente indisponível surge em nossa vida, é uma chance de praticarmos o amor
incondicional: amar sem nada esperar. Entretanto, isso não significa que
estaremos disponíveis a uma relação sem troca. Significa simplesmente que
entendemos a situação, que amamos, mas que precisamos deixar, continuar nosso
caminho em busca de seres que estejam na nossa vibração de amor e esperança. O amor
é tão grandioso que não comporta o medo. Se há medo, não existe amor.
A vida é breve, o amor urge, a
afetividade é uma dádiva. Estar aberto para o amor é estar receptivo para a
vida. Busquemos, então, a amorosidade presente nas relações saudáveis, a
felicidade de amar sem reservas e de expandir a consciência por meio do outro.
"Conhece-te a ti mesmo e
conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares
primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum."
Por Sol Antônia
Por Sol Antônia

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