Transformar-se interiormente é requisito essencial para a expansão da consciência. É um processo lento e contínuo, mas que pode ser acelerado, por exemplo, com a prática do exercício de auto-observação, definição de objetivos e desprendimento.
A auto-observação consiste em perceber nosso estado interior. Que pensamentos temos com frequência? Com que sentimentos nos identificamos?
Algumas pessoas se acham bondosas e amorosas, generosas e tolerantes, indulgentes e nobres, mas, ao fazer uma observação crítica de suas reações à vida, se deparam com um EU totalmente diferente. E é este EU que devemos aceitar antes de começar a mudar. Não nos criticar, apenas nos observar imparcialmente. O renascimento depende de um trabalho interno sobre si mesmo – ninguém pode renascer sem alterar este EU. Quando novos comportamentos surgem na nossa vida, ocorre uma mudança de consciência junto com um renascimento espiritual.
A definição de objetivos, por sua vez, consiste em formular uma meta: o que gostaríamos de ser em vez do que realmente somos, e, a partir daí, observar cada uma de nossas reações às situações cotidianas. Todos vivemos em um estado definido de consciência, por isso, ao escolher um objetivo, estaremos automaticamente definindo um estado de consciência, partindo de nossas reações à vida. Se um boato ou uma observação descuidada causa uma reação em uma pessoa ansiosa e nenhuma reação em outra, essa é uma prova de que tais pessoas vivem em estados de consciência diferentes.
Se definirmos como objetivo, por exemplo, ser alguém nobre, generoso, seguro e gentil, poderemos dizer se estamos sendo fiéis a nosso objetivo simplesmente observando nossas reações aos acontecimentos da vida. Se formos fiéis aos nossos ideais, nossas reações estarão em conformidade com nosso objetivo, pois nos identificaremos com ele e, portanto, estaremos pensando a partir desse objetivo. Entretanto, se nossas reações não estiverem em harmonia com o nosso ideal, é porque estamos separados desse ideal e apenas pensando nele. Neste caso, temos dois caminhos a percorrer: assumir que somos o ser adorável que queremos ser e observar nossas reações ao longo do dia – elas nos dirão em que estado de consciência estamos agindo.
Após descobrir que tudo é um estado de consciência que se torna visível e de definir o estado particular que queremos tornar visível, é a vez de ingressar neste estado, movendo-nos psicologicamente de onde estamos agora para onde queremos estar. Esta é a fase do desprendimento, que consiste no abandono de nossas reações atuais e na união ao nosso novo objetivo de vida. No começo podemos achar que não conseguiremos nos separar de nossos estados interiores indesejáveis, já que nos acostumamos a encarar cada estado de alma e cada reação nossa como natural e a nos identificar com elas. Isso é absolutamente normal. Quando ainda não sabemos que nossas reações são apenas estados de consciência dos quais podemos nos desprender, enfrentamos os mesmos problemas e não os vemos como estados interiores, mas como situações exteriores. Ao trabalharmos o desapego, nós nos desvinculamos do círculo habitual de nossas reações à vida.
Praticando cotidianamente o exercício de nos separar de nossos humores e pensamentos negativos, subimos a níveis mais elevados de consciência. Lembremos que é o estado de consciência que atrai os acontecimentos da nossa vida.
Por Sol Antônia

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